"Conseguimos aprender a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, todavia não conseguimos aprender a simples arte de viver como irmãos." - Martin Luther King

sexta-feira, 18 de março de 2011

Aprender a conhecer-se

Na minha ainda curta experiência (5 anos) como treinador de futebol de escalões de formação, pude perceber a necessidade de utilizar um conceito que já existe há muito tempo, mas que apenas nos últimos 30 anos tem vindo a ser usado com maior profundidade. Refiro-me ao coaching.
O coaching, como menciona Rosinski (2010), "...é um humanismo pragmático. O coaching valoriza o bem-estar e a satisfação. Enfatiza o cuidar de si próprio, a qualidade de vida e o desenvolvimento humano. Chamo a isto a dimensão"ser". O coaching é também um método para melhorar o desempenho e um estilo de liderança que consegue resultados. A isto eu chamo a dimensão "fazer". Por outras palavras, o bem-estar é importante e o desenvolvimento humano é a melhor maneira para conseguir resultados."
Esta minha reflexão surge a propósito daquilo que falei no início deste texto: o treino de futebol com miúdos da formação. Isto porque, apenas um número restrito deles (num universo de 30 a 35 atletas por escalão) demonstra realmente capacidades excelentes (técnicas, físicas, tácticas e mentais) para a prática de futebol. 
Então surge a necessidade de nos questionarmos sobre o que andam lá a fazer os outros miúdos.
Os motivos são vários, mas destaco essencialmente três: porque gostam de futebol, porque os amigos deles jogam lá no clube e porque os pais vêem, nos seus filhos, potenciais jogadores de futebol com possível retorno financeiro a médio e longo prazo.
Inicialmente, tudo é muito bonito, pois os jogos de pré-época vão dando oportunidades a todos os miúdos (e assim deveria ser ao longo da época em escalões de formação). Contudo, após a pré-época, o que se verifica, em meados de Novembro ou Dezembro, é que os miúdos que pouco ou nada jogam vão perdendo motivação para a prática desportiva. 
Sendo assim, porque não dar hipóteses a estas crianças, que tanto gostam de desporto, de praticar outras modalidades?
O objectivo seria, através do coaching, encontrar formas de optimizar o seu rendimento e elevar novamente as suas motivações pessoais. Se têm dificuldades em jogar futebol, porque não praticarem basquetebol, andebol, golfe, ténis, etc, até encontrarem o seu "dom"?
E quando me refiro a modalidades desportivas, também poderão ser outras actividades como música, teatro, dança, etc. 
Como exemplo, posso dizer que no meu primeiro ano como treinador-adjunto, tivemos um miúdo que até jogava regularmente, mas que um dia chegou ao treino e disse-nos que não queria jogar mais, pois tinha encontrado a sua verdadeira vocação: a música. 
Tudo o que fizemos foi dar o nosso total apoio à decisão dele e desejarmos a maior felicidade e sucesso na sua vida. Para além disso, deixamos-lhe a "porta aberta" para treinar connosco, caso, por vezes, ele quisesse "matar" as saudades da bola e dos colegas. Por vezes, encontro-o feliz da vida e, até hoje, somos bons amigos. 
Para além de sermos treinadores deles, somos acima de tudo, uma espécie de segundos pais e só queremos o bem deles.  

Bibliografia: ROSINSKI, Phillipe, Coaching Intercultural, Lisboa, Monitor, 2010.  

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